28.11.09

Sobre a Vida


Viver não é passar, mas é ser

Julgamos ser coisa simples pensar na vida. Muitas vezes, ficamos a pensar no que nos tem acontecido, revemos os nossos actos, fazemos planos para o futuro. Imaginamos um outro caminho, que poderíamos ter seguido, imaginamos o que gostaríamos que nos acontecesse de futuro. E julgamos com isto que pensamos na vida. Pensar na vida, no entanto, não é assim tão simples.
Não será que vivemos presos a uma falsa imagem do real?
Não contemplamos em geral a própria realidade, mas apenas as imagens, que estão para o real, como a sombra de um objecto para o próprio objecto. Para concretizar este facto, nos agarramos à “alegoria da caverna”, onde vivemos acorrentados, numa caverna, voltados para o seu interior e a luz que nela penetra, projecta sobre as suas paredes interiores sombras dos objectos reais, desta forma, vemos as sombras projectadas, e julgamos que estas sombras são a realidade. Poderemos criticar a concepção de Platão, mas continua essencialmente válida. A “alegoria da caverna” é para nos libertar da visão espontânea e superficial, e nos conduzir a outra visão do mundo.
Quando pensamos… a vida não se trata apenas de recordar o passado ou imaginar o futuro. Trata-se, sobretudo, de julgar a nossa participação na existência, de decidir a nossa vida em função de uma consciência, e de uma responsabilidade assumida, de existirmos como seres livres, de direito e nem sempre de facto.
Há uma expressão que se repete permanentemente, “na estrada da vida” . Se fosse apenas uma expressão literária, e não haveria problema. Existe um problema, no entanto, e grave. É que pensamos a vida como uma estrada. E aí está mais uma tendência para pensar em termos de imagem e de espaço físico.
Nascemos, crescemos, aprendemos a andar. Andamos por ruas, andamos por estradas, andamos por caminhos, andamos por florestas, abrindo trilhos. Ficamos com a ideia de que a vida é uma estrada por onde passamos, por onde outros já passaram e por onde outros passarão. E aí está, porque somos incapazes de pensar convenientemente a vida.
Viver é ter a consciência de construir a própria vida. Viver é caminhar, certos de que existe um caminho anteriormente traçado na existência. Cada passo que damos abre um caminho, cada escolha que realizamos aprisiona-nos e fortalece-nos, porque é uma auto-determinação. O modo porque vivemos constrói a expressão do que somos e do que nos fazemos ser. Pensar a vida não é pensá-la em termos de caminho que percorremos, porque viver não é passar, mas é ser. Desta forma, a vida aparentemente mais simples pode ser a mais heróica, tudo dependendo da intensidade de vida com que o nosso ser se realiza no seu modo de ser.
Lumenamena

4 comentários:

  1. Sim, aa, estás com toda a razão, avida não é uma estrada, é por si só, em todos os trechos, já uma chegada, embora não seja de modo algum estática. Muito mais conta a intensidade, quantidade é mero detalhe, coisa irrelevante. A vida está no sonho ou o sonho está na vida? Tanto um como outro, pois tudo se interliga, mas nada se corta. É tudo mais que um simples caminho, é um sonhar, é uma força, uma energia. Um dia acaba, e tenho certeza que renasce.
    Mil abraços.

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  2. Abdoul Hakime,

    Sim, a vida é uma força, uma energia, uma opção suprema, que devemos ousar correr riscos, que devemos ter tempo para viver, que devemos viver com paixão no coração, e que devemos viver o nosso sonho ao máximo.

    Abraços,
    Lumena

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  3. Agora que disseste isso, lembrei de uma canção mexicana que diz: "Todo en la vida es a perder o ganar, hay que apostar, hay que apostar sin miedo!", do RBD.

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