2.12.09

Mais Tarde


A minha morte chegará um dia
Um dia na primavera, luminoso e gracioso
Um dia de inverno, poeirento, distante
Um dia vazio de outono, desprovido de alegria
A minha morte chegará um dia
Um dia doce-amargo, como todos os meus dias
Um dia ôco como o que passou
Sombra de hoje ou de amanhã
Os meus olhos adaptam-se à penumbra dos pátios
As minhas faces parecem frio, pálido-mármore
Súbitamente o sono arrasta-se sobre mim
Livro-me de todos os gritos dolorosos
Lentamente minhas mãos deslizam sobre anotações
Que chegaram até mim debaixo do feitiço da poesia
Relembro que outrora em minhas mãos
Retive o sangue flamejante da poesia
A terra convida-me para os seus braços
As gentes reúnem-se para me sepultar aqui
Talvez à meia-noite os meus amantes
Coloquem sobre mim coroas de muitas rosas.

Autoria: Forough Farrokhzad (1934-67), poetisa persa
Enviado pelo amigo Abdoul Hakime Goul Djounoubi, blog http://aflordosul.blogspot.com/

4 comentários:

  1. É um belo poema, sim, com laivos de tristeza e de melancolia, vozes também do coração, fonte de vida. Fala em poesia. E se fala em poesia, há maré cheia e maré vazia. Fala, enfim da vida. Bjitos meus,

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  2. Não sei se te identificaste com o tema, quando o leste, mas eu sim. imagino que também tu, pois gostaste dele desde que te o mandei, não é? É muito melancólico e é uma voz do coração mesmo, igual disse o Eduardo Aleixo. Tem um quê de alma feminina.

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  3. Eduardo Aleixo

    Sim, fala da vida. E ficamos extasiados diante desta história de vida. Foi a inspiração para os seus poemas. Ela era o que conseguiu ler dela própria.

    Abraços,
    Lumena

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  4. Abdoul Hakime,

    Sim, identifiquei-me com o tema, e assim que te pedi para publicar, foi mesmo por gostar imenso dos poemas dela.
    Tem muita alma feminina.

    Grata Hakime.

    Abraços,
    Lumena

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